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Pandemia Paralela: Cuidados com o bem estar devem ser levados a sério!

Pandemia Paralela: Cuidados com o bem estar devem ser levados a sério!

Mais de um ano de pandemia. Diante de tantas incertezas em relação ao futuro e do medo constante, os problemas relacionados à saúde mental têm causado quase uma pandemia paralela. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país que apresenta maior prevalência de depressão na América Latina. Mas o mundo inteiro está em estado de alerta. “Agora está claro que as necessidades de saúde mental devem ser tratadas como um elemento central de nossa resposta e recuperação da pandemia de Covid-19”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

A psicanalista e psicóloga Renata Bento, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, afirma que medos, ansiedade e incertezas fazem parte da vida, mas não de forma tão intensa como a que estamos vivendo agora.

A saúde mental nunca foi tão discutida como atualmente. Finalmente temos esperança com a chegada da vacina, mas não existe vacina para saúde mental. Qualquer um de nós pode adoecer psiquicamente. A importância da saúde mental tem sido cada vez mais discutida. A busca por tratamento psicológico tem aumentado exponencialmente e ajudado muitas pessoas a manterem um estado emocional mais equilibrado para não serem totalmente contaminadas pelo “vírus” do desequilíbrio emocional — explica Renata.

Para atender a essa alta demanda, terapeutas, psicólogos e médicos têm se reunido em grupos para realizar atendimentos on-line gratuitos. Uma das iniciativas é a Rodas de Escutas Compassivas, que promove a formação de grupos gratuitos e abertos por meio da conta @rodasescutacompassiva no Instagram. Lá, são disponibilizados links para salas virtuais.

Se a pandemia trouxe para a população o medo de uma nova doença que já atingiu milhares de pessoas, para pacientes de doenças crônicas graves essa angústia foi potencializada. Além de enfrentar tratamentos dolorosos, pessoas com doenças como câncer e insuficiência cardíaca grave tiveram que lidar com o duplo medo da morte, já que entram no grupo de risco para a Covid-19.

Se a Covid está deixando pessoas sem comorbidade assustadas, a situação para quem já tem ameaça de morte presente é muito mais sensível, mas cada um reagirá em função de como encara a própria vida. Vai depender da constituição psíquica. Buscar apoio é uma forma de lidar com o que tem de vida. Não é fingir que nada está acontecendo, mas lidar com a realidade dizendo: “Você tem muito o que fazer por você”.

Fonte: O Globo